domingo, 12 de agosto de 2012

CRIANDO UM BONSAI A PARTIR DE UMA SEMENTE





A técnica de produzir um bonsai a partir de uma semente é chamada de MISHO. A grande vantagem do Misho é que se pode trabalhar a muda desde o começo, ou seja, orientá-la já no seu segundo ano de vida. Entretanto é o processo mais demorado, se comparado com a obtenção de mudas direto da natureza (YAMADORI) ou mudas adquiridas em viveiros, prática que oferece a vantagem de obtenção de um bonsai geralmente em um espaço de tempo mais curto.
Produzir um bonsai a partir da semente requer a obtenção de uma boa semente, originária de árvores saudáveis e com potencial de germinação superior a 50% pelo menos (para cada duas sementes plantadas pelo menos uma germinará). Quanto mais sementes plantar, maior a chance de obter uma muda.
As cerejeiras foram introduzidas no Brasil, no estado de São Paulo, por imigrantes japoneses que trouxeram três variedades: A OKINAWA que se adaptou primeiro no país, com flores de coloração vermelha carregada. É possível obter mudas a partir de sementes. A HIMALAIA que é uma árvore de porte maior com flores miúdas róseas claras e nuances de verde clara. A manutenção da árvore é difícil por se mostrar sensível aos ventos, podendo quebrar com certa facilidade.  Costuma produzir sementes em abundância e germina com certa facilidade. A YUKIWARI é uma variedade proveniente da região sul do Japão. A florada é de cor rósea clara, muito abundante chegando a formar cachos. É uma árvore muito robusta alcançando uma altura de 10 metros e copa de 7 a 8 metros de largura. Geralmente não produz sementes, sendo a multiplicação feita por estaquia.
Para plantar as sementes pode ser utilizado copinho de café descartável. Deve ser utilizada terra com adubo orgânico bem curtido em pouca quantidade, pois a acidez do esterco “verde” queimará as raízes. Não utilizar adubo químico, mas se achar conveniente proceder da seguinte maneira: colocar ¼ de colher de café de adubo NPK 4:14:8 no fundo do copo e cobrir com a terra preparada para o plantio, colocar a semente e cobrir com uma camada delgada do substrato. Evitar terra argilosa, pois após molhada forma uma crosta na superfície e a semente não respira. A aeração das sementes é importante. Utilize uma mistura de terra preta com areia em partes iguais e acrescente 10% de húmus de minhoca. A rega deve ser dosada evitando encharcar o solo. Evite que a terra se movimente durante as regas. Faça aspersão fina ou gotejamento bem suave, caso contrário o jato de água vai retirar a camada superficial do solo e mudar as sementes de posição o que poderá inviabilizar a germinação.  O copinho já plantado poderá alternativamente ser colocado sobre uma bandeja com água, de modo que a mesma suba por capilaridade, umedecendo a terra. Fazer a reposição na bandeja sempre a água secar. Outra forma é colocar a semente para germinar em areia pura mantendo boa umidade, o que facilita a aeração da semente. Lembrar que a areia é altamente permeável o que implicará em maior controle sobre a umidade. O transplante deverá ser feito com as mudas bem pequenas ainda, para um substrato com terra adubada.
Para a bandeja ou vaso poderá ser utilizada uma mistura composta de 10% de húmus de minhoca; 50% de terra preta; 10% de barro vermelho e 30% de areia grossa (areia de rio, não pode ser areia de praia por causa dos sais).
As mudas de cerejeira são muito sensíveis ao sol pleno e se abandeja for muito rasa, o cuidado com a umidade deverá ser dobrado.

domingo, 23 de outubro de 2011

UM BONSAI DE IPÊ AMARELO


Môsar Lemos



Esta árvore já tem doze anos de idade e floresceu algumas vezes. Nesta sequência de imagens podemos acompanhar a sua fenologia, desde o período vegetativo quando está totalmente com folhas. O reaparecimento das folhas começa após a floração e quando a arvore ainda tem os frutos (vagens) por volta do mês de outubro. Este ano tenho visto muitas árvores floridas ainda no mês de outubro, porém nos bonsais a floração ocorreu mais cedo e as folhas já estão voltando.


Em Agosto desse ano a árvore já tinha perdido todas as folhas e os botões florais já eram visíveis. Esse ano foi muito frio e entramos em Setembro ainda com temperaturas baixas, com madrugadas de 14o. C aqui em Niterói (RJ), o que não é comum.


Em Setembro a arvoreta estava com flores, como estas que ainda não haviam terminado de abrir completamente.



Neste mês de Outubro a árvore ainda está com as vagens, que secarão e abrirão liberando as sementes aladas.

Os bonsais de ipê amarelo levam cerca de três meses entre a queda das folhas, floração e a produção de sementes, o que ocorre do final do inverno ao início da primavera.


domingo, 31 de julho de 2011

A AROEIRA


Môsar Lemos

A aroeira pimenteira, aroeira vermelha, pimenta rosa ou simplesmente aroeira é uma planta comum nas restingas e matas de baixada aqui do Estado do Rio de Janeiro. Frutificam de forma abundante nos meses de abril e maio e seus frutos de coloração vermelha são bastante apreciados pelas aves.
            Conhecida como pimenta-rosa a frutificação é utilizada como condimento, inclusive para acompanhar sorvetes, numa combinação inesquecível do gelado do sorvete com o suave ardor da pimenta. Em 2004 o Brasil exportou aproximadamente 15 toneladas de pimenta-rosa beneficiada, oriundas do extrativismo nos estados da Bahia, Espirito Santo e Rio de Janeiro. Além da culinária a aroeira é utilizada na indústria farmacêutica e cosmética.

            Pertence a família Anacardiaceae. A espécie Schinus terebinthifolius é uma arvore de porte pequeno a médio, com 3 a 8 metros de altura. As folhas quando exalam um forte e agradável odor que lembra a terebintina. As flores são pequenas e o fruto é do tipo drupa de coloração vermelho-brilhante, aromático, adocicado e com um leve ardor característico.
            É uma planta fácil de trabalhar como bonsai, pois suporta bem as podas e rebrota com facilidade e rapidamente, o que permite manter um pequeno porte com tronco e galhos mais grossos. Reproduzem-se através das sementes ou de estacas. São vegetais que apresentam indivíduos com flores masculinas, indivíduos com flores femininas e indivíduos com as duas llores, assim no preparo do bonsai para que se obtenha a frutificação é necessário que o individuo seja portador de ambas as flores, o que pode ser obtido mais facilmente a partir de estacas de indivíduos com frutos.


Utilizo adubação mensal com adubo orgânico, como farinha de ostra, humus de minhoca, esterco de galinha, farinha-de-ossos, e duas vezes por ano utilizo adubo químico de liberação gradual do tipo N-P-K na formulação 10-10-10, com um intervalo de seis meses entre elas (por exemplo em março e setembro). Não adubo durante os meses de inverno.

Não faço podas durante o outono e o inverno, e nos demais meses uso o bom senso nas podas para a formação da copa, eliminando os brotos em locais onde eu prefiro ter apenas um tronco. A aroeira brota muito rapidamente após as podas e necessitam de regas moderadas de acordo com a temperatura, pois suportam bem o sol, porém a observação constante é fundamental para mantê-la saudável. 

SAKURA: A CEREJEIRA-DO-JAPÃO

Môsar Lemos

Esta árvore está bastante associada às imagens do Japão. Foi introduzida no Brasil onde se adaptou bem e pode ser vista em regiões mais frias aqui no Estado do Rio de Janeiro, onde podemos encontrá-la em plena floração no mês de julho. A foto que ilustra o texto mostra a floração em São Pedro da Serra (RJ) em julho de 2010.
            É uma árvore fácil de trabalhar para obter um bonsai bonito e harmônico. Venho trabalhando no pré-bonsai que tenho hoje desde 2010. Inicialmente era uma muda com cerca de 80 centímetros de altura e uma bifurcação no tronco bem próximo da base. Escolhi alguns ramos laterais e podei de forma drástica para ver o comportamento da planta, e fiquei surpreso com a brotação rápida das folhas nos ramos podados. Isto me deu segurança para continuar podando e reduzir a altura da planta. Atualmente a planta está com cerca de 20 centímetros de altura. Considerando que quando comprei a muda no horto ela já tinha mais ou menos dois anos de idade, hoje é um pré-bonsai com cerca de três anos. As folhas ainda são grandes.


          A cerejeira-japonesa ou Sakura (Prunus serrulata) é uma árvore da família das Rosáceas, a mesma família do pessegueiro, originária do Japão. Perde as folhas durante a floração, o que realça ainda mais a beleza das flores, assim como ocorre com os nossos ipês. O tronco é cilindrico, delgado, simples e curto, com casca rugosa de cor marrom-acinzentada. A árvore apresenta altura de 4 a 10 metros, com copa mais ou menos densa com 3 a 4 metros de diâmetro. As folhas se apresentam uma de cada lado do ramo de forma alternada, são ovaladas tgerminando em ponta, com margens serrilhadas e nervuras bem marcadas. Nascem com uma tonalidade bronzeada, ficam verdes e mudam para o amarelho ou vermelho no outono e então caem.


Para o manejo do bonsai tenho mantido a planta direto no sol, regando diariamente, pois ela sente muito rapidamente a falta de água. No plantio utilizei uma mistura de areia com esterco de galinha seco e barro (40/10/50) e posteriormente após a planta já estar adaptada no vaso acrescentei humus de minhoca em cobertura. Ainda não fiz a poda de raízes ou transplante de vaso o que somente deve ser feito a cada dois anos. Não faço podas durante o outono e o inverno. Nos demais meses uso o bom senso para ir formando a copa, já que a planta rebrota com muita facilidade. Não tenha medo de podar. Utilizo adubação mensalmente exceto durante o inverno, preferindo utilizar adubos orgânicos como torta de mamona, farinha-de-ossos, esterco de galinha e humus de minhoca. Entretanto pelo menos duas vezes ao ano é necessário utilizar um adubo químico de liberação gradual como o NPK na formulação 10-10-10. Deixe um intervalo de 6 meses entre uma adubação química e outra (por exemplo, março e setembro).


 
           

Créditos fotográficos
Marize Dias Lemos
US National Arboretum Bonsai Collection

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

BONSAIS QUE ESTOU PREPARANDO

Môsar Lemos

 Paineira rosa com 6 anos

            Se eu tivesse começado há mais tempo, provavelmente hoje eu teria árvores fantásticas, mas só o envelhecimento vai trazendo a sabedoria e a capacidade de admirar e se encantar com coisas simples, como estas arvorezinhas. Como eu pretendo viver até os 80 anos, acho que vou vê-las como nas fotos de livros japoneses. O meu bonsai mais velho é um fícus de 18 anos. Comecei a trabalhar nele em 1992, assim que terminei a faculdade. Hoje tenho ipês, flamboyants, paineira-rosa, jabuticabas, extremosa entre outros. 

Ipê amarelo com 12 anos

Um pouco da arte e filosofia
Não existem propriamente regras, no sentido rígido da palavra, para produzir um bonsai. A palavra significa “plantado em um vaso”, assim uma plantinha por menor que seja no jardim não é um bonsai, porque não está no vaso! Simples, não? 

Flamboyant com 8 anos

Existem algumas regras que podem ser seguidas e que são muito úteis para as pessoas que ainda não desenvolveram a harmonia visual pra discernir, por exemplo, se um bonsai está ou não equilibrado na bandeja. São apenas orientações básicas para compor um arranjo visualmente agradável, até que a pessoa faça sua própria arte. Afinal, fazer um bonsai é desempenhar uma atividade artística, que depende da capacidade de observar a natureza e da criatividade de cada um. 

Jabuticabeira com 7 anos

Acontece que depois de várias tentativas, as pessoas acabam encontrando as relações certas entre tamanho e forma que resultam em uma harmonia visual coerente. É isso que faz com que o bonsai seja visualmente harmônico e equilibrado para que possa transmitir esse equilíbrio para as pessoas. Na verdade, essas regras têm a ver mais com harmonia visual. É costume dizer que o bonsai é uma árvore em miniatura, porém não é o caso de afirmar o que é correto ou incorreto. Na verdade, você está representando em miniatura uma árvore no seu momento de maior esplendor. Lógico, em tamanho é uma árvore pequena, mas você tem que transmitir à pessoa que está olhando a idéia de que se trata de uma árvore adulta. 

Figueira com 18 anos

O bonsai não é propriamente uma árvore anã e sim a representação em miniatura de uma árvore grande. 

Extremosa com 4 anos

Muitas coisas são ditas a respeito dos bonsais como segredos, técnicas especiais, etc. Fui aprendendo que as coisas são mais simples do que parecem. Na verdade funciona muito o bom senso. É uma planta que precisa de água, luz e sol na medida certa. Como a quantidade de substrato (terra) é pequena, pois o bonsai está em um vaso ou bandeja,  há uma tendência natural em esgotar os nutrientes presentes no solo. Logo ele precisa ser adubado periodicamente, o que pode ser feito a cada 15 dias ou mensalmente. O bonsai segue o ciclo normal de uma árvore grande. Floresce, frutifica, cresce, para de crescer, perde folhas, coloca folhas novas, etc. Tudo como manda a natureza de cada espécie. Você precisa conhecer a espécie que você quer cultivar. 

Figueira 

Poda de raízes, poda de galhos, poda de folhas, troca de substrato, mudança de vaso são procedimentos relativamente simples e que devem ser feitos periodicamente (leva alguns anos para mexer de forma mais drástica na planta). Muitas das regras são as mesmas aplicadas ao jardim, ao cultivo de fruteiras e ornamentais. A diferença é que tudo é feito em escala muito pequena. Experimente começar. Tenha algumas horas semanais para você e suas arvorezinhas!


 Meus bonsais quando eu fizer 80 anos!